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27 de jun de 2016

RESENHA: Cartas de Amor aos Mortos


Já faz um bom tempo desde que eu li “Carta de Amor aos Mortos”, mas sabe quando um livro te marca de uma forma tão boa que você tem a sensação de que sempre vai se lembrar dele? Pois é exatamente assim que eu me sinto em relação à história de Laurel. Este livro foi mais um (dos milhares) que eu comprei pela capa, e quase me arrependi assim que comecei a ler. Nas primeiras páginas eu estava beeeem sem vontade de ler, tinha acabado de sair de um livro com muita ação (cujo não lembro o nome) e daí me deparei com a calmaria da obra de Ava Dellaira. 



Cartas de Amor aos Mortos é uma espécie de compilação de cartas escritas por Laurel, que está prestes a começar o ensino médio em uma nova escola, com novas pessoas. As cartas são, na verdade, uma atividade de inglês, a ideia era basicamente escrever para alguém que já morreu. Assim, Laurel começa com pessoas bastante conhecidas, como Kurt Cobain, Amy Winehouse, Janis Joplin, Elizabeth Bishop, Judy Garland, entre outros, até chegar a sua irmã, May. Além de lidar com as dificuldades de estar em uma nova escola, a menina ainda tem que se preocupar com o fato de sua mãe ter saído de casa pouco tempo depois da morte da irmã, com um pai que parece desligado do mundo, novas amizades e, claro, uma paixão.



Laurel logo se trona amiga de duas meninas de seu colégio novo, e Natalie, que escondem o fato de serem apaixonadas uma pela outra e mais tarde, um romance (e daí entra a primeira coisa que me fez amar tanto esse livro: um casal gay, formado por garotas, que têm que enfrentar o preconceito, mas que tem amigos que as apoiam). Além delas, Laurel ainda conhece Sky, um menino um tanto misterioso por quem ela se apaixona (e nós também) e com quem ela descobre que não precisa se esconder. Tristan e Kristen também são grandes amigos de Laurel, eles têm um jeitinho diferente dos demais, são namorados que têm que tomar uma decisão importante, e isso também corta nossos coraçõezinhos, e nos faz pensar um pouquinho em nossas próprias decisões.



“Quando olho para Sky lembro que o ar não é apenas algo que existe, mas que se respira. Mesmo que esteja do outro lado do pátio, consigo ver o peito dele se movendo. Não sei porque, mas, neste lugar cheio de desconhecidos, fico feliz que Sky e eu estejamos respirando o mesmo ar. O mesmo ar que você respirou. O mesmo ar que May respirou.”



Durante a história e todas as cartas que lemos, percebemos que existe alguma coisa que não foi dita ou mencionada, até porque a morte de May é uma verdadeira incógnita até que as peças do quebra-cabeça se encaixem. Laurel esconde algo muito importante, e é isso que vai te cativando ao longo das páginas, saber o que aconteceu a ela e à irmã se torna quase que uma obrigação, mas te deixa bem triste quando você descobre a verdade e percebe que não pode fazer nada para mudar o final.
Não achei que iria me apaixonar por uma história tão triste e cheia de perguntas como esta, porém, ao terminar de ler e descobrir sobre o que é tudo aquilo, você consegue sentir a responsabilidade que tem a partir daquele momento, de ajudar o próximo em toda e qualquer que seja a situação, principalmente se for algo como o que Laurel e May enfrentaram.


“O universo é maior do que qualquer coisa que cabe na sua cabeça.”

Antes de vir aqui escrever essa resenha, e no momento em que ela estava sendo escrita, eu pensei bastante como contar sobre um livro em que a mínima palavra errada pode acabar com a magia dele, e isso foi um desafio para mim. Demorei pouco mais do que esperado para finalizar Cartas de Amor aos Mortos, e terminei em uma das inúmeras viagens que fiz de volta pra casa, tive que disfarçar todas as lágrimas que insistiam em escorrer em minhas bochechas e passei quatro horas inteirinhas imaginando como tudo chegou àquele fim, e em todas estas horas eu tinha um nó na garganta e só queria poder trazer Laurel para a realidade e abraça-la.



Muitas músicas são mencionadas nas cartas, descobrimos coisas sobre pessoas que julgávamos conhecer tão bem, como é o caso de Kurt e Amy, por exemplo, e de repente nos vimos completamente envolvidas com as inseguranças de Laurel e aprendemos a amá-la de um jeito quase real, acho que isso se dá à medida que percebemos o amadurecimento dela e a busca pela liberdade, sobretudo de seu passado.

Se você não entendeu nada do que eu quis dizer aqui, só te dou um conselho: LEIA ESSE LIVRO AGORA! Garanto que você vai compreender cada palavrinha e sentimento meu. Ah, e só pra lembrar a Ava Dellaira vai estar aqui no Brasil na Bienal do Livro de São Paulo, este ano, em agosto. Vamos juntar o dinheiro e os lencinhos já!











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