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3 de mai de 2016

RESENHA: Uma História de Amor e TOC




Uma História de Amor e Toc
Corey Ann Haydu

Você tem alguma mania repetitiva? Talvez, já tenha falando que era um “TOC”. Mas você sabe o que é ter Transtorno Obsessivo e Compulsivo?  Bom, acho que muitas pessoas não sabem exatamente a definição dessa doença (sim, doença), como eu também não sabia. No livro primeiro livro da autora Corey, apesar de pegar toda roupagem de livro de amorzinho, e iniciativa de “uma história de amor”, seu caminho vai mais além e dá um destaque válido aos transtornos abordados.

Bea. Uma garota que já manja de vários truques para controlar ataques de ansiedade. Vai ao psicólogo. Tem uma coleção de recordes de notícias e objetos significativos para ela. Precisa anotar detalhes de conversa. Satisfaz-se relendo elas. Dirige na mínima velocidade possível. E está relutante em começar uma terapia em grupo.

Beck. É viciado em academia. Muito viciado. Malhado. Tem compulsão com limpeza. Faz tudo em séries de oito. Teve seu primeiro ataque de pânico num ginásio escuro. Bea que o ajudou. Ele também começará terapia em grupo.



A história de amor começou depois de um ataque de pânico do Beck no ginásio escuro, pelo qual Bea o ajudou a superar. Mas quem diria que o destino gosta também de repetições e os dois iam se encontrar logo no momento em que ambos estão tentando lidar com suas complicações? Pois, foi na terapia que a história de amor e TOC aconteceu.

O TOC dos dois, entretanto, veio muito antes. E acho importante escrever essa resenha falando mais sobre as linhas do transtorno obsessivo compulsivo do que as cenas de amorzinho, porque foi o que mais senti ao ler o livro. Antes de todos os encontros, amores superações, o livro traça dois perfis verdadeiros e escancarados do que é sofrer de um transtorno obsessivo compulsivo.

Ele desenha o quanto a Bea pode mergulhar sua obsessão e leva-la a um nível incontrolável. Não porque ela era doida, não porque ela queria, mas porque ela sofria pela doença. Na capa do livro, compondo a arte de fundo está escrito “Não vou stalkear esse cara”.  Quem tem um crush, redes sociais e afins, sabe que repetir esse mantra é uma luta em favor do desapego. Convenhamos, todo mundo já deu aquela espiadinha normal em perfis de garotos. Mas, para além de qualquer checada em Face Book, Twitter e Instagram é você seguir uma pessoa. Observá-la por horas. Anotar cada detalhe. Bea já fez isso com antigo namorado. Bea faz isso com uma obsessão platônica em um casal astro de rock que frequentava sua terapeuta.

Já o Beck não era stalker, mas sofria com o fator “limpeza”. Ninguém podia tocar nele, ele sempre tinha que lavar a mão. E em séries de oito. Oito em tudo. Oito minutos de banho – e se passar de oito, só depois de 88 minutos -, oito ligações, oito, oito, oito, oito, oito, oito, oito, oito. 


O livro cumpre um papel ousado em descrever e trabalhar esses perfis. Até demais assim como a compulsão do próprio TOC. E para quem acha que essa sigla podia designar qualquer mania ou tiques do dia a dia, o livro te traz a oportunidade de vê-la como doença. Ele expõe os sintomas e traz ou outra visão; mais que uma superficialidade encoberta pelo romance. E talvez seja por isso que o livro possa não agradar a muitas pessoas. Há a negação quanto à doença, há o afastamento das pessoas diante do reconhecimento desses atos, há dúvida e há luta.

Nesse caminho, em que um descobria no outro as manias, vivia a luta, se incomodava e ajustava, eles iam se ajudando. Foi aí que o fator “história de amor” mais valeu. Porque nos transtornos, nas complicações, naquilo que os afetavam juntos ou separadamente, eles se construíam.

“(...) está com medo e espantado com a dura realidade do mundo ao seu redor e com a pureza da beleza.” – Página 310

Interessante também é que o livro traz um motivo. Nada que aconteceu para eles estarem no meio daquela confusão comportamental foi em vão.




 “Terapeutas acham que tudo é um mecanismo de defesa” – Página 32.

Entrar nessa complexidade dessas consequências também foi uma abordagem séria e profunda a se considerar.

O que mais me tocou fundo e trouxe a realidade do transtorno obsessivo-compulsivo era a necessidade do “fazer”. Seja do stalkear, do ir à academia ou escrever. Se não fizesse era como se a pessoa fosse morrer, acontecer algo ruim, perder o ar. Em contra ponto e mostrando a superação disso, mostrava também o quanto tratamento de exposição pode ser duro e difícil, mas pode existir e ser uma pontinha de luz no infinito da ansiedade.

“O Homem Ansiedade de 140 quilos está sentado no meu peito outra vez, comprimindo meus pulmões e dificultando a respiração.” – Página 223

Não vou negar que esse livro caiu na minha mão no momento em que mais precisava ler sobre o assunto. Também sofro de ansiedade (mais precisamente de ansiedade paroxística episódica) e ler sobre o assunto num estilo young adult ativou aquele lado de representatividade, sabe? Sem falar da vontade de procurar mais pelo assunto e entender as pessoas que passam por isso. Sem falar da chance de desmistificar um pouco as doenças ligadas à ansiedade e à mente: Precisamos esclarecer, levar a sério, buscar tratamento e ter apoio.

E acima de tudo saber que temos a chance superá-las ou trabalhar para isso. O progresso e as tentativas são a verdadeira História de Amor no meio do TOC.


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Paula Joane






3 comentários :

  1. Gente, amei essa resenha. Inclusive pretendo colocar esse livro na minha wishlist, hehe.

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    Respostas
    1. Obrigada, JSant! :D

      Pois coloque, e vamos discutir sobre ele. uAUSHUAHs

      Bjos :*

      #Paula

      Excluir
  2. Gente, amei essa resenha. Inclusive pretendo colocar esse livro na minha wishlist, hehe.

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