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16 de mai de 2016

RESENHA: Star Wars: Herdeiro do Império - Trilogia Thrawn


Finalmente, depois de séculos querendo fazer isso mas sem saber por onde começar, iniciei minhas aventuras no Universo Expandido de Star Wars - que agora, em sua maioria, é Universo Alternativo, já que a Disney criou um novo cânone com O Despertar da Força. Comecei pelo caminho mais conhecido e mais acessível pra mim: a Trilogia Thrawn, escrita por Timothy Zahn. O primeiro volume se chama Herdeiro do Império.


Como essa trilogia não integra o novo cânone, alguns podem se questionar se vale apena lê-la - afinal, tudo agora não passa de um Universo Alternativo. Minha resposta é sim, vale. Vale e muito. Os personagens são bem-construídos e a história é cativante e te mata de curiosidade do começo ao final, fazendo com que a leitura valha muito a pena - mesmo sabendo que nada daquilo "aconteceu de verdade", no universo canônico da saga. Ela foi tida por décadas como "a verdadeira continuação de O Retorno de Jedi", tendo sido base para diversos outros produtos da saga, como jogos, por exemplo. Só perdeu esse status quando foi anunciado que o oitavo filme não seguiria o Universo Expandido - o que deixou diversos fãs receosos com o rumo que a franquia poderia tomar. Quanto a isso, só posso dizer que O Despertar da Força me deixou alucinada e achei realmente fantástico. Além do mais, o filme se passa 20 anos após a destruição da segunda Estrela da Morte, enquanto a trilogia de livros se passa muito antes. Assim, não perdi a esperança de, em algum flashback, algumas coisas dessa trilogia serem utilizadas. Amaria de verdade ver Mara Jade nas telonas, por exemplo. Mas voltemos a falar da história escrita por Timothy Zahn.

O primeiro livro da trilogia é Herdeiro do Império, que se passa 5 anos após os acontecimentos de O Retorno de Jedi. Com a destruição da segunda Estrela da Morte sendo ainda recente, bem como a morte de Darth Vader e do Imperador Palpatine, a galáxia ainda está um caos. A Nova República luta para se estabelecer, enquanto remanescentes do Império tentam a todo custo retomar o poder. À frente desta luta, temos o grão-almirante Thrawn que, a bordo do destróier imperial Quimera, tenta a todo custo trazer o Império de volta. Descobrimos que Thrawn era a mente genial por trás de diversas ações imperiais e, ao contrário de Darth Vader, o grão-almirante em momento algum se deixa levar por suas emoções - nem mesmo pela raiva. Assim Thrawn, com seus olhos vermelhos e pele azulada, é uma pessoa absolutamente calculista e fria, com um poder de observação, raciocínio lógico e dedução impressionantes - chegando a lembrar um pouco Sherlock Holmes nesse sentido, embora eu ainda ache que o raciocínio de Holmes supere o de Thrawn.


Do outro lado da guerra - o lado da Nova República - temos os personagens que já conhecemos: Luke, Leia - agora casada com Han e grávida de gêmeos, Han, Chewie, R2-D2, C-3PO... Todos agora mais desenvolvidos e ainda dando seu melhor para restaurar a paz na galáxia. Leia, após descobrir que é uma Skywalker e que é sensitiva à Força, tem aprendido com seu irmão a ser uma Jedi. Seus maiores esforços, no entanto, continuam voltados às missões diplomáticas em nome da Aliança Rebelde e da Nova República, de modo que suas habilidades ainda não estão muito desenvolvidas. Luke e Han deram baixa de seus postos na Aliança, se tornando apenas civis, mas continuam integrando missões a favor da Aliança - e Luke o faz enquanto Cavaleiro Jedi, trilhando os caminhos da Força.

Há ainda uma espécie de "zona neutra", com personagens que não estão nem ao lado do Império e nem ao lado da Nova República, se mantendo independentes e se recusando a tomar partido abertamente. Os contrabandistas, obviamente, se encontram nesse meio, e é dentre eles que encontramos Talon Karrde, um líder contrabandista astucioso que se recusa ferrenhamente a se envolver na guerra e tomar partido. Seu braço direito é Mara Jade, uma mulher inteligente, misteriosa e que sabe muito bem cuidar de si mesma ( e ainda é ruiva! Preciso dizer o quanto já amo essa mulher?). Ela, por motivos que desconhecemos, nutre um ódio mortal por Luke - o que pode muito bem ser a ruína dele.

A trama mostra os esforços do Império para derrubar de vez a Nova República e, para isso, traz elementos surpreendentes integrando as estratégias de Thrawn - que envolvem até mesmo animais capazes de criar uma espécie de bolha de anulação da Força e a descoberta de que Luke Skywalker não é o último dos Jedi, no fim das contas -sem contar, é claro, com Leia e os gêmeos que carrega. Os planos do grão-almirante se mostram incrivelmente inteligentes, mas de uma simplicidade cruel e certeira - do tipo que te faz se questionar como nunca pensaram nesse tipo de coisa antes, de tão simples e geniais. Como num jogo de xadrez, Thrawn sabe prever os movimentos de seus oponentes muito bem, e com uma margem de erro mínima. E, mesmo quando seus planos falham, ele nunca tem uma crise de raiva, as quais eram as marcas registradas de Darth Vader. Ele mantém o sangue frio, afinal, uma pequena derrota não fará diferença quando seu grande plano for concluído e ele atingir o bem maior no qual acredita. Essa postura surpreende seus comandados, que o respeitam ainda mais do que respeitavam o próprio Vader - mas também o temem na mesma medida.


Não posso falar mais que isso, pois o livro tem várias frentes de ação, uma vez que os protagonistas não passam o tempo inteiro juntos - o que faz com que várias coisas importantes aconteçam ao mesmo tempo, com cada um deles. Então, uma última coisa importante a ressaltar sobre Herdeiro do Império é que você encontrará algumas divergências em relação a história que é contada na trilogia prequel - que, embora se passe muito antes da história do livro, fornece muitos detalhes que desconhecemos na trilogia original, especialmente quanto aos lados Luminoso e Sombrio da Força. Isso acontece porque ele foi escrito antes mesmo do primeiro filme da prequel ter sido lançado - já que A Ameaça Fantasma foi lançado em 1999, enquanto Herdeiro do Império é de 1991. Mas, como a própria trilogia fílmica iniciada em 1999 contradiz algumas coisas apresentadas na trilogia clássica, nem vale a pena ficar se irritando com esses detalhes. São coisas pequenas que não fazem tanta diferença na história. Além disso, nada do que é mostrado no livro contradiz o que é mostrado na trilogia clássica. Ao contrário, Zahn conseguiu capturar muito bem a essência dos personagens que todos conhecemos e amamos - e, com a essência deles, a própria essência de Star Wars.

Julie Hevellyn





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