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3 de ago de 2015

CAFÉ COM PALAVRAS: Papo de Poeta




Das muitas experiências que cursar jornalismo nos traz, uma das melhores é o contato com as mais diferentes pessoas. Seja indo a campo para entrevistas e eventos, seja na sala de aula, conhecemos pessoas de todas as caras, cores, sorrisos e olhares. No meio dessa diversidade, acabamos por compartilhar a sala de aula com um poeta amigável e de sorriso fácil chamado Dado - nas palavras dele: "Meu nome é Dado, e o apelido é Luiz Eduardo". Dado vê poesia ao seu redor, e a compartilha com quem está à sua volta - e agora esse compartilhamento se dá também através de seus Saveiros de Papel, livro lançado no último dia 21 - não por acaso, aniversário do poeta, que assina seu trabalho como Ribeiro Pedreira. Estivemos presentes no lançamento do livro, que aconteceu na Cervejaria Mata Branca, aqui em Vitória da Conquista, onde Ribeiro Pedreira, cheio de sorrisos, autografava sua obra. Saveiros de Papel é um livro tocante, reflexivo. Cada poema mexe conosco de um modo diferente, trazendo um novo olhar sobre o mundo, as pessoas, os sentimentos...


Conversamos com Dado a respeito de seus poemas. Ele nos conta que seu interesse inicial era por música e surgiu ainda criança, ouvindo A Arca de Noé, disco com canções compostas por Vinícius de Morais. A partir daí, os versos começaram a lhe escapar da cabeça e saírem para o papel. “Certa vez escrevi uns versos bem tolinhos, e achei o máximo aquelas bobagens...”, conta Dado, já mergulhado na necessidade de transferir para o papel ideias que vinha à mente.




Com 37 anos e funcionário público, Ribeiro Pedreira conta que Saveiros de Papel "é a reunião de poemas escritos de uns oito anos pra cá".  Ele começou a pensar em publicar um livro por volta de 2010, e a concepção para cada poema ou verso vem de pensar  que tudo na vida tem uma história por trás. Seus poemas são fruto das suas observações, vivências, leituras... E ele afirma que nos poemas há um pouco de sua própria história, mesmo que nas abordagens fale de situações em que ele não viveu.

Nessa mistura de vivências, raízes e boas histórias das quais Dado é íntimo, vem uma curiosidade sobre o título de seu livro. Nascido no recôncavo baiano, o poeta não teve a chance de pegar o tempo em que saveiros atravessavam a Baía de Todos os Santos para levar mantimentos do interior para a Capital. A essência do título é encontrada no poema Breve (p. 40):

O violino galopa
na canção ligeira,
embala a pena
desliza o poema

que embarca, inerme,
num saveiro de papel

Nele, Dado faz uma reflexão sobre a condição dos textos - num paralelo com a função dos saveiros - que estão fadados a seguir viagem, passar por outros olhos, receber críticas e estar expostos sem direito a defesa. “Então pensei em ‘construir’ os meus próprios saveiros e vê-los cumprir seus destinos diversos”, afirma. 




Sobre a dificuldade de estreantes e o mundo das publicações, Ribeiro Pedreira enfatiza a dificuldade de se publicar livros e alega que não é um desafio enfrentado só pela juventude. Existem pessoas com materiais bons e que não encontram suporte. A própria demanda pela não-literatura é grande. No caso de Dado, ele foi apresentado ao editor da Editora Mondrongo por um amigo em comum. Ele está entre os dez poetas publicados da Série Horizontes e é o único escritor que está estreando.
  

Quando questionado sobre a importância de uma literatura dita “regional”, Dado apressa-se em dizer que não gosta muito do termo “regional”. Para ele, essa referência designaria apenas território. "A arte e a cultura são manifestações humanas, portanto, são universais", diz. E complementa dizendo que, seja qual for o termo que quiserem empregar, sua relevância ainda é imensa, pois ajudará na construção e reconhecimento da identidade de um povo. Para os escritores iniciantes/poetas que já pensaram em seguir adiante e quem sabe publicar algo, Dado recomenta a o exercício da escrita e leitura na modalidade desejada. Ler clássicos, contemporâneos e buscar teóricos. Para a poesia ele recomenda Octávio Paz e Ezra Pound.




Algo interessante que observamos no papo com Dado seja o fato de que seu toque especial talvez seja o prazer misturado com necessidade de se expressar “Preciso descarregar essas coisas que não sei de onde vêm”, conta. Com esse ensejo, resultou Saveiros de Papel, e outros provavelmente também venham a se materializar, pois Dado afirma que existem outros produtos amadurecendo.

Além de Vitória da Conquista, Ribeiro Pedreira lançou Saveiros de Papel em Santo Amaro e Salvador, nos dias 30 e 31 de Julho, respectivamente. As expectativas de Dado estavam as melhores possíveis misturada com a ansiedade quanto à aceitabilidade do público.

Eu, Julie, já adquiri meus Saveiros de Papel com um marca-página cheio de identidade e um autógrafo carinhoso :)






Julie Hevellyn e Paula Joane
(Fotos por Gabriela Santos)






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