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8 de jul de 2015

RESENHA: Naruto Gaiden - Nanadaime Hokage to Akairo no Hanatsuzuki



Naruto é popular, fato. E apesar de existirem vários mangás atuais melhores, não há como negar que foi esse título acordou o gosto por animes de diversas pessoas por aí. Foi assim comigo e por isso tenho um carinho todo pessoal. Ano passado, Tio Kishi finalizou sua obra de 700 capítulos após 15 anos na ativa. E esse ano, ainda na ressaca do fim + obras extras com a marca (vide novels e filmes) eis que o mangaká lança um spin-off, Sétimo Hokage e a Primavera Escarlate, curto de dez capítulos e que deu muito o que falar dentro do fandom desse mangá. 

Antes de qualquer coisa, não nego que nessa resenha vou misturar e deixar falar todos os meus lados, tanto de leitura, quanto de fã; aquele que curte ação e avalia roteiros, mas surta também com casal, sim! 

Se havia a curiosidade em saber mais sobre a nova geração de Konoha e ver um pouquinho do Uzumaki com o manto de Hokage, Naruto Gaiden dá essa chance. Nessa deixa de “pós-fim”, o autor aproveitou e deu uma resposta curta e grossa para algumas dúvidas que o final do mangá deixou. Vemos qual destino levou alguns personagens, como a equipe Taka, a diva Oro, Yamato e Kabuto. 

O spin-off, porém, tem um foco e temática além. Sasuke e Naruto formaram família e herdeiros, e com a nova geração veio uma pontinha de ironia do passado. Uchiha e Uzumaki mirins têm alguns desentendimentos quanto à plena convivência com seus pais. Naruto, um Hokage ocupado e Sasuke,  um ninja viajante que dedicou anos de sua vida para cuidar de uma missão maior. Achei engraçado como essas imperfeições foram colocadas nas crias das famílias principais, porque me remeteram quanto o próprio Naruto e o Sasuke já sofreram (em seus níveis maiores) com uma ausência familiar. Por outro lado, o Kishimoto exagerou um pouco na abordagem dessas novas imperfeições.

Eis o enredo principal: Por uma ameaça tão perigosa quanto Kaguya era, Sasuke precisa investigar e passa anos de sua vida fora da vila. Uchiha Sarada cresce sem a presença do pai. Sente tanto sua falta que acumulou em si questionamentos quanto ao comprometimento e sentimentos de sua família. É a vez do foco no clã Uchiha.

O Uchiha quase nunca demonstra sentimentos, mas quando faz arrebenta.
" Porque você existe, Sarada...". Sasuke legitimando o amor de sua família na existência da Sarada.

Entendo e até mesmo acho plausível o autor decidir retratar o jeito e trazer essa percepção logo no personagem do Sasuke. É a prova definitiva que ele finalmente carregou para si os propósitos de Naruto e tenta retribuir para a vila. Porém, ficam aqui todos os contras que o Gaiden deixou em mim. Precisava ser tão radical e atribuir tanto tempo para missão – que pela sua dimensão de importância, foi pouco explicada - a um personagem que teve sua chance de reconstrução? Eu ansiava por uma visão do Sasuke pós-redenção, do personagem ainda pegando o jeito com as ‘coisas boas da vida’, porém os primeiros capítulos mostram um Sasuke tão misterioso e enigmático quanto já conhecíamos. Que o Uchiha sempre será um cara reservado, isso é um fato incontestável, mas a distância que ele possuía com a filha - repito, nos primeiros capítulos - era algo inquietador, deixando para Naruto representar o papel de mentor – e evangelizador rs – em inúmeras partes. 

Com a deixa da distância do Uchiha, o autor pegou essa sementinha para cultivar a justificativa para um dilema que rondava alguns fãs. Sarada tem um óculos, e por isso ela não seria filha da Karin? Kishimoto encaminha o Gaiden para responder essa dúvida tão banal. Se ele realmente queria apagar as dúvidas que rondavam a família de Sasuke, existiam outros motivos bem mais leves. Convenhamos, o autor preferiu criar um grande drama mexicano, com direito até a exame de DNA ratinho approves. Todas as minhas queixas são sobre as prioridades e destaque que o Masashi quis dar. Sem falar na falta de planejamento para algumas questões levantadas no próprio Gaiden e que ficaram mal respondidas. Vocês se sentiram satisfeitos com uma resposta para todas as verdades que Sarada jogou na cara do Sasuke? Ou sobre essa missão ultra-secreta capaz até de interromper uma comunicação com a família por anos e anos? Ficaram muito mais “suposições” no ar do que certezas. 

Mamakura e sua filha Sarada

O Gaiden, entretanto, não foi feito só de contras, e apesar deles, teve muitos aspectos positivos que valeram a pena. Sinceramente, acho que só conseguir sentir o peso da mensagem dessa saga nos capítulos finais. Antes eu achava que a mensagem principal estaria focada no estilo ninja, pelo qual a Sarada se questiona no início. Acabaria com a pequena Uchiha entendendo os motivos do Sasuke e de seus sacrifícios e do significado dessa ocupação para a vila. Ainda que no fim fique subentendido que ela compreendeu, o foco não foi esse. Se a premissa era o questionamento da familiaridade da Sarada, Kishimoto pegou esse drama e trouxe uma mensagem bem bonita: A relação de Genes x Sentimentos.

Para embasar essa discussão, os vilões, clones reais com Sharingan, traziam o ideal de guerra como base da evolução humana, e só os genes fortes garantiriam a permanência dos melhores. O resto era descartável. Em contrapartida, vinha a relação materna, de biologia “duvidosa” de Sakura e Sarada. Convenhamos, de todas as intrigas e enredo, a relação SakuSara foi o pico desse spin-off. O laço das duas é consistente, amoroso, cúmplice. Quando a Sarada reflete sobre todos os cuidados, conexões e sentimento com a mãe, a pergunta sobre a biologia verdadeira, passa a não ter tanta importância. Antes de qualquer ligação sanguínea, Sakura e Sarada tinha um laço bem mais forte que não poderia ser descartável: a ligação promovida pelo amor. 

Nessa pegada, eu achei fantástico o Tio Kishi trazer para cena uma referência sólida da relação dos Uchihas. Aquele toque na testa passado do Itachi até chegar a Sarada. 

O legado do "poke"

Aquele "poke" é um gesto cheio de significados. E uma coisa que eu tenho que valorizar no Kishimoto é a preferência dele por atitudes simples, mas que carregam história. Um abraço, um beijo pode ter sua importância, mas para alguns personagens outros meios de expressão valem até mais que o "costumeiro". Para a história Uchiha, o toquinho é expressão máxima do amor. E depois desse Gaiden, pude captar mais significações vindas desse ato. 

"Fica para a próxima". O gesto acompanhado dessa frase delata um intermédio entre amor e impossibilidade momentânea. A ideia de "próxima vez" podia ser uma frustração para o receptor. Era algo como "deixa para depois". E nisso podia até criar uma ideia de "nunca vai acontecer", uma ideia de adiar. Porém, o real sentimento depositado ali nunca foi esquecido ou deixado para trás. Muito pelo contrário, o amor Uchiha foi sendo passado adiante. Começou com a promessa do Itachi e agora está na Sarada. Resistiu, aconteceu. Não é um sentimento de frustração. No fim, é um sentimento real que vive neles. Amei essa herança ainda mais, assim como amei a homenagem a algo que começou com Itachi. 

Outra coisa interessante foi que com a confirmação da Sakura ser realmente a mãe, apaga qualquer intenção de unir sangue Uzumaki e Uchiha só para criar uma Sarada poderosíssima. Ela não precisa dos melhores genes para ser resistente. Foi uma resposta tanto para o vilão Shin, quanto para muitos que desejavam que “poder” sobrepujasse os “laços”. 

E para completar os acertos, tenho que frisar a magnífica ideia de colocar Sarada despertando o sharingan através de uma emoção forte como o amor. É o início de uma nova roupagem para os Uchihas que carregaram tantas tragédias. Se esse é um clã que ama demais, a pequena herdeira representou um valioso novo legado para seu sobrenome.

De referência o Gaiden está cheio! Além do "poke", muitas outras tiradas apareceram por entre as páginas do spin-off. Foi divertido ouvir Naruto contando como ele e o Sasuke eram quando Genins, a Sarada incorporando o Sasuke querendo abandonar a vila e a clássica rivalidade, indicada agora no Boruto e na Sarada, só que com personalidades trocadas. Foi uma nostalgia gostosa ver o Boruto reclamando e a Sarada herdando a vontade de ser a Hokage. 

Antes tarde do que nunca, Kishi conseguiu resgatar a proposta do novo Sasuke e deixar que o apreciássemos. Pensar em todas as sombras que rodearam esse menino, em toda sua relutância por criar laço, e agora ver que, enfim, ele tem pessoas pela qual se apegar e objetivo pelo qual lutar, é lindo. Sasuke abraçado sua filha, lutando pela vila, gritando para o mundo shinobi - e para Tio Orochi das Cobras - "minha esposa". Quem imaginaria isso tudo? Sempre gostei de tipo de personagens que conseguem encontrar sua redenção.


Um doloroso retrato do passado, um esperançoso retrato do futuro

" O que estava refletido em seus olhos era a coisa verdadeira. Amor".

Irônico, não? Que um óculos que tanto provocou rebuliço e dúvidas, é o objeto que reflete os sentimentos verdadeiros de Sasuke, Sakura e Sarada. Eles são uma família sim, Sakura é a mama biológica sim, e o resto é só uma confusão que não tem importância no meio do verdadeiro objetivo.

Apesar de todos os baixos e todas as incongruências, achei válida a existência desse curto mangá. E mais válido ainda pela oportunidade de conhecer Sarada Uchiha. Essa personagem conseguiu me conquistar numa escala grande. Torço muito para que essa Uchiha mulher brilhe muito.  Fisicamente parecida com o Sasuke, com a personalidade forte e dom do pai. Carisma, carinho, força, é caricata como a mãe. E ainda recebeu a evangelização e influência direta de Naruto. Ela é uma síntese do Time 7. 

E para fechar, findando com o porta-retrato, lembrei de um diálogo do Uchiha com Kakashi sobre os sentimentos da Sakura. Sasuke tenta rechaçar as palavras dela e de Kakshi, mas em seu interior ele pensa na foto de sua família e completa: "Tudo isso é passado agora”. Hn. Era passado para alguém que necessitava de laços, mas afastava-os. Um sentimento do passado que resistiu, se reinventou e virou um futuro. Futuro desajeitado, com desencontros e imperfeições, mas ainda assim permanece encontrando seu terreno firme em momentos valiosos.



Ponto Seguimento: Há diversas traduções para as linhas. Algumas menos confiáveis (como infelizmente, as que usei nas fotos). Afinal, pense aí traduzir do japonês para o inglês e depois português. Muita coisa se perde. É sempre legal buscar outras fontes. PS2: Muito se fala que o Naruto Gaiden é um prólogo para o filme do Boruto. Pode ser que algumas brechas, principalmente envolvendo a missão do Sasuke, sejam respondidas no longa (sem certezas, mas vai que...).

Observação: As fotos foram impressas e meramente ilustrativas. O Gaiden ainda não foi lançado no Brasil (não sabemos quando será. Enquanto isso, aproveitem os 72 volumes e databook lançados pela Panini - que aqui está atrasado, mas ok.).

Nota Final: 8 

Paula Joane






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