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15 de jul de 2015

CAFÉ COM PALAVRAS: Na Varanda Literária da Li



Você tem alguma pessoa que possa chamar de referência literária? Algum nome que só de falar “livros” você já remete a ele? Bom, eu tenho. 

Ela usa óculos, 34 Agostos vividos, ama vaquinhas, tem uma gata chamada Eve e mais de 300 livros na sua estante. Foi minha professora de Língua Portuguesa durante cinco anos e está sempre pronta para apresentar um novo vício fictício ou literário para você. Ela, minha referência literária, é Lissandra Dias, mais conhecida como Lili. 

“Lili, fala um livro para eu ler. Lili, me empresta tal livro. Lili, olha meu texto... Lili, deixa eu te entrevistar? Lili, Lili, Lili...”

Eu sempre vou ter Tia Lili para recorrer, abusar e pedir boas dicas. E foi nessa pegada de uma referência literária que eu tive um dedo de prosa, um papo à la Café com Palavras com Lili.

Se alguém tem tantas narrativas enfileiradas na estante, com certeza tem uma bagagem de ótimas histórias relacionadas a elas.  

É praticamente uma varanda de experiências, aventuras, dicas, opiniões e muitas palavras da Li!  

Para vocês conhecê-la melhor, saibam que os primeiros contatos de Lissandra com a literatura foram com gibis que sua vó comprava. Além disso, ela conta que, lá nos anos de sua infância, era encantada por uma lesma chamada Lúcia e por histórias cheias de brinquedos. Sem falar de seu apreço pela coleção Vagalume. Seu pontapé inicial foi embasado em gosto infanto-juvenil. Mas aqui vai um segredinho: a mãe de Lili também gostava de ler. Só que sua mãe lia Sabrina, Julia (típicas coleções de romances de bancas), repletas de momentos íntimos... E quem pegava essas obras gênero água com açúcar para ler escondida? A própria Lili.

Muitas aulas na oitava série também eram filadas para aproveitar o tempo de leitura. Mas isso não atrapalhou sua trilha estudantil. Muito pelo contrário, se suas professoras colocavam livros em cima da mesa, ela era a que mais pegava títulos.  Suas maiores incentivadoras foram justamente duas professoras do colégio. A cidade de Jequié não tinha livraria, e a biblioteca de sua escola só tinha os clássicos – aos quais ela amava também. Foi então que uma de suas professoras conseguiu revitalizar a biblioteca do colégio, e Lissandra estava lá a postos para ajudar e trabalhar de graça, passando tardes envolvida com o ambiente ao redor.


Como uma boa leitora, Lili viveu etapas de diversificados estilos literário. Ela era aquela que só lia clássicos e por isso fez faculdade de letras, até que descobriu o mundo da internet e as discussões  em comunidades do Orkut. Quando questionada se tem algum estilo favorito, a professora de Português responde que hoje lê de tudo. E como voltou a trabalhar com jovens, voltou a mergulhar nas narrativas infanto-juvenis.

Pegando essa deixa, eis que colocamos em pauta o tal do “pedantismo literário”. Algumas pessoas gostam de julgar estilos ou gêneros. E categorizam como “errados” ou “melhores”; só determinados livros têm validade e devem ser explorados. Será que existe realmente um tipo certo de gênero para seguir? 

“Eu não posso classificar uma leitura como melhor ou pior que a outra. Eu acho que toda forma de leitura é válida”, afirma Lissandra. 

E acreditam que ela até já sofreu com isso?! Os questionamentos circundavam o fato de  uma professora de Português ficar andando com livros infanto-juvenis pelo colégio. Carregando Crepúsculo e Harry Potter por aí... Lili fala que ficava até com vergonha de levar alguns títulos justamente pelo olhar recriminador de alguns. Mas depois percebeu que até mesmo livros como Crepúsculo, Cinquenta Tons de Cinzas ou o que for, irão ensinar alguma coisa. Mesmo que seja nunca mais ler aquele estilo. Ela levanta a bandeira de que o importante é você ler o que você gosta. Afinal, estilos variados podem construir uma única bagagem literária, contribuindo para o amadurecimento do leitor. Chega um momento em que certo tipo de história não mais satisfaz, e é aí que haverá a busca por algo mais complexo. 

“As pessoas julgam muito, mas são esses tipos de livros que atualmente formam leitores. Você tem que começar por alguma coisa, nem que seja por Crepúsculo. Você vai amadurecendo ao longo da sua jornada”, finaliza.  
 

Perguntei a Lili se, como educadora, ela tinha uma magia infalível - ou pelo menos um jeito ideal - para despertar o gosto pela leitura em alguém. E descobri alguns truques bem divertidos e eficientes. Como embasamento, Lili segue o lema de “leio o que meu aluno ler”. Afinal, ela está trabalhando com jovens e se envolver no mundo deles é o melhor jeito de ser certeira no modo de conquistar.

 Depois disso vêm algumas manhas.

1)      Despertando Interesses: Lili adverte, sempre tenha um livro em mãos. Mesmo que você não o esteja lendo. Isso aguça a curiosidade! 

Quando vai dar aula, ela deixa um livro em cima da mesa. O aluno verá o livro ali, irá olhar, perguntar, ler a sinopse... E se conhecer o gosto do público ou ter ideia de qual livro pode chamar atenção, ainda melhor. Olha que essa dica pode ser infalível para muitas outras situações até fora de sala de aula, hein? Quem nunca esticou o pescoço no ônibus para ver que livro um desconhecido está lendo?

2)      Titia Lili não acredita no dizer “não gosto de ler”, ela apenas acha que a pessoa ainda não encontrou o seu livro, o seu estilo.

3)      E nesse percurso, dona Lissandra até já tem um título testado e aprovado em converter leitores. Não gosta de ler? Leia A Droga da Obediência! Lili garante: você tem grandes possibilidades de gostar.

4)      E a última dica: “Partilhar. Dizer o que você está lendo, o que é a história. Compartilhar (...)”. 



Preparem suas malas ou Livros Viajantes! Chegou o momento de saber um pouco sobre as aventuras que já rodearam Lissandra por causa desse peculiar vício em livros. A primeira citada por ela foi o quão tímida era e, graças aos livros e à internet, Lili foi se soltando. A internet foi uma ferramenta chave para desencadear muitos encontros e partilhar gostos literários. Lili já se aventurou a ir sozinha para outros estados para encontrar seus comparsas de leituras. E deu tão certo que em todas as férias de Janeiro ela viaja para reuniões com pessoas que conheceu graças à literatura. “Eu posso dizer que minhas melhores amigas foram conquistadas a partir da leitura”, diz. Isso porque nem tocamos no seu currículo de Bienais e festivais. Até viajar para conhecer cenários de livros, Lili já fez. Apaixonada pelo livro A Moreninha, essa leitora foi até a Ilha de Paquetá só para saber como era a gruta retratada no livro.

Os projetos que Lili executa, principalmente no colégio, são alguns de seus grandes orgulhos. Nos últimos ela conseguiu trazer autores como Paula Pimenta, Filipe Castilho e Bárbara Morais.  E confessa que lutou tanto na primeira tentativa de trazer autores para o colégio que estava mais animada para conhecer Paula Pimenta que os próprios alunos. Tenho que frisar que essa empolgação é contagiosa, porque todos acabaram entrando na mesma vibração. 


Perto do final do nosso bate-papo, chegamos a uma das minhas partes favoritas. E que não deixa de ser uma aventura.  Se você tem uma paixão pela leitura, viaja em narrativas e diferentes histórias, um dia cresceria alguma vontade de escrever sua própria, certo?! Pela gargalhada que Lili deu no momento em que perguntei, só podia vir conteúdo bom. Para os aprendizes de escritores, esses próximos fatores vão criar identificação em muita gente.

Tudo começou no finado Orkut, numa comunidade de mais de 2000 pessoas. Lá o usuário de  Lissandra postava e tinha muitos leitores. As histórias dela chegavam a atingir mais de 1000 páginas. A pessoa tinha uma recepção tão boa que, mesmo fazendo quatro anos que não escreve, ainda se depara com histórias de pessoas procurando pelos seus textos. Agora uma pausa. Percebam que eu falei “usuário de Lissandra”. Exatamente... Ela não postava com o nome dela e sim com um fake. Por quê? Vergonha. Segundo ela, as histórias eram bombinhas, fanfic de algo que não quis revelar. 

Ela descobriu uma professora que postou histórias no site Wattpad, depois colocou na Amazon e foi tão vendida que a Rocco decidiu publicar. Lili pensa em arriscar esse mesmo desafio e jogar na Amazon. Ela só precisa editar as histórias e mudar alguns nomes de personagens... Agora, só não esperem ver lá o nome Lissandra Dias estampado na capa. “Eu vou usar o pseudônimo que eu usava”, diz. Vale dizer que muita gente da época do Orkut ainda acha que o pseudônimo era real e só umas quatro ou cinco pessoas sabem quem era a escritora daquelas fics.  Lili revelou o nome de sua alter-ego, despois de assegurar que o Orkut estava mesmo morto para que nós não fôssemos atrás procurar. Mas, para deixar todos no mesmo suspense e mistério, vou ser má e não revelar. Quem sabe quando AM (olha uma dica) tiver fazendo sucesso por aí, vocês não estejam lendo um livro de Dona Lissandra?!

Para encaminhar o fim do Café com Palavras, algumas curiosidades ligadas intimamente com a estante linda que Lili tem no quarto. 

- Lili lê todo dia. O tempo que dedica à literatura varia de acordo com sua disponibilidade e trabalho. Mas pelo menos uma página por dia, ela lê!

- Uma Mania Literária: Ler a última frase do livro. Pode até pegar spoilers, mas são superáveis. Ela só não curte sublinhar ou riscar livros.

- Um título que marcou foi O Testamento de Nora Roberts Ele abriu as portas para um outro tipo de literatura para ela e é da sua autora favorita.  Também foi o livro mais caro que ela comprou, pagando R$ 61 nele.

Encerrando o dedo de prosa que tivemos, eu encontrei uns ‘artefatos’ curiosos pelo quarto dos livros. Lili curte muitos desafios literários. Às vezes, ela não está empolgada e eles podem motivá-la a ler mais. Eis que eu acho uma Jarra cheia de papeizinhos e um livro todo trabalhado manualmente. Você também procura algum desafio para ler mais? Fica aqui algumas dicas de Lili para vocês.

Na Jarra

“Eu tenho uma mania. (...) Eu compro muito livro. Não aguento ver uma promoção que eu compro. E eu tenho muito livro comprado que eu ainda não li. Então eu montei uma jarra, anotei todos os títulos dos livros que não li. Depois, sorteio um nome, um título de um livro, e o sorteado eu tenho que ler. A ideia é  você não comprar mais nenhum livro até você ler todos os livros de sua estante. Mas isso é impossível para mim. Por mais que eu tente, eu sempre coloco um papelzinho na jarra.  Você não pode trapacear. Se tirou um papel tem que ler o livro.  Você tem o direito de desistir, mas tem que pelo menos começar. Tem livro aí que tem pelo menos 10 anos e eu ainda não li.” – Lili.




SmashBook

“Eu sou muito fã de scrap books, que são álbuns de fotos. (...) Gosto muito de desafios literários. Eu achei um site com o desafio do SmashBook, que é você montar um álbum das leituras que você fez durante o ano. É tipo uma agenda em que você tira foto do livro e escreve alguma coisa sobre o livro e monta com recortes (...). Nesse projeto, há dicas dos tipos de livros para você ler, mas eu estou fazendo de todo livro que eu li em 2015.” – Lili.



Este foi meu papo construtivo, com uma das minhas principais referências literárias.  É uma delícia você conhecer uma pessoa como Lili, que tem todo apego com o mundo dos livros. Alguém a quem você pode recorrer sempre para surtar, pedir dicas e afins. Espero que tenham gostado.

Para fechar com muitos amontoados de páginas, fica um pequeno vídeo que fiz na Varanda Literária da Li. Tem livros coloridos, variados! Estantes lindas que cobrem uma parede toda! 






Obrigada à Lili pela paciência e por compartilhar um pouquinho de suas Palavras & Palavras. <3

Paula Joane







2 comentários :

  1. Lili, referência literária de muitas gerações daquele Social, inclusive minha <3

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    Respostas
    1. Com certeza! Quem nunca foi viciado por alguma indicação de Lili? #LiLiMeEmprestaUmLivro haha
      Obrigada pelo comentário!
      #Paula

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